domingo, 7 de setembro de 2008

Textos/Colunas Humorísticos

Por que rimos da desgraça alheia?
Através da história dos textos humorísticos podemos perceber que há muito tempo isso ocorre oficialmente, como fazia o bobo da corte, que se não fosse talentoso o suficiente poderia ter sua cabeça cortada. Ao contrário do que se pensa, o humor não tem nada de brincadeira em alguns momentos e trata de assuntos sérios, porém de maneira capaz de atrair leitores e espectadores, juizando valores, ressaltando preconceitos, retratando nosso cotidiano e negritando problemas da sociedade, fazendo nos identificarmos nessas piadas, ou seja, rirmos de nós mesmos.


A apresentação da última sexta-feira mostrou um vasto conteúdo pesquisado, mas não conseguiu transmitir a totalidade das informações. As falas foram muito rápidas, o que ocorre na maioria das apresentações, e nem tudo o que é dito de importante, consta nos slides, não dando a devida pausa para os que estão assistindo assimilarem toda a explicação.
É de extrema relevância mencionar a relação dos temas apresentados com a nossa área de atuação, como foi assim referido nesta apresentação. O texto humorístico pode ser um meio de comunicar-se dentro de uma empresa, mas é uma “faca de dois gumes”, e precisa ser cuidadosamente pensado como, quando e onde utilizá-lo. A linguagem e o conteúdo dos textos humorísticos são freqüentemente encontrados nos corredores das empresas, na famosa rádio-pião e o Professor José Roberto de Andrade nos propôs refletir sobre a necessidade de oficializar isso. Levar essas brincadeiras para as comunicações formais da organização. Fica aqui mais uma proposta, ao fazer clipagem ou desk-research, verificar o que os grandes humoristas dizem a respeito.


O conteúdo apresentado também serviu para deixar claro como as construções gramaticais são diferentes, os vários níveis que compõem os textos humorísticos e seus respectivos exemplos. Os vídeos apresentados foram de grande valia para exemplificar como são tratados nas piadas, assuntos da realidade nos textos humorísticos, e em especial o vídeo sobre o pleonasmo, que enfatizou a lingüística e nos mostrou como erramos diversas vezes no dia-a-dia e não reparamos. Porém, a apresentação falhou em privilegiar o cômico e não a construção em si dos textos, que é o tema central destas apresentações. Algumas informações jornalísticas poderiam ter enriquecido a apresentação, citando ou divulgando alguns ícones do humor, como o escritor José Simão, colunista da Folha de São Paulo, ou personalidades como Juca Chávez, cantor e compositor, e Henfil, desenhista jornalista e escritor, entre estes muitos outros também.
Outra informação interessante sobre o tema apresentado é a analise destes textos na mídia brasileira, que surgiram na ditadura, e foi sob a censura que se expandiu o chamado: jornalismo alternativo. Na época havia muito conteúdo a ser divulgado e encontraram no humor uma forma de dizer coisas sérias como se fossem banais, para não chamarem atenção e teve seu auge durante o último período militar.


Em 1999, surgiu um veículo alternativo ao que se estava sendo divulgado aos leitores pela mídia, mas com a proposta de fazer isso com humor, a revista Bundas. O cartunista João Spacca diz exatamente, para que existe o texto humorístico e o que a revista pretendia no seu lançamento: “Bundas, não se iludam com o nome, tem um compromisso ético com seus leitores. Não é puro entretenimento. Disto se ocupam os mercadores de "tchans". Bundas, usa a estratégia clássica dos humoristas: avacalha, para dizer coisas sérias”.Ele também explica o porquê do nome: “Bundas, no logotipo e na proposta editorial, posiciona-se eticamente em oposição à revista Caras. Bundas acusa: Caras é a mídia oficial e mentirosa, o Brasil faz-de-conta das novelas da Globo, o ópio que embebeda o povo e o impede de tomar consciência de si mesmo. Ora, Caras não faz jornalismo. Caras apenas mostra como vivem os famosos, ou como os famosos querem que a gente pense que eles vivem. A burguesia brega de Caras, tomando sol e uísque à beira da piscina, é denunciada pela esquerda chique de Bundas, que faz o mesmo numa esquina chique de Ipanema (...) A simples existência de Bundas já é, em si, uma denúncia, com ou sem glúteos na capa. Mostra, descaradamente, que a nata do humor gráfico nacional, para poder publicar o que sabe fazer, foi obrigada a criar o seu próprio veículo, uma verdadeira Ilha de Bundas num mar de Caras.” Lamentavelmente, este tipo de veiculo não reinou e a Bundas faliu por má administração. Ainda é possível encontrar edições em sebos.


A dinâmica deixou a desejar e não despertou muito interesse entre os colegas, apesar de ser individualmente engraçada. Além do que, não houve nenhum comentário sobre os pequenos textos e caricaturas entregues para os grupos.



Pequenas falhas, alguns acertos e um conteúdo que parece ser fácil, mas é de difícil abordagem e explicação, porém segue a dica para que cada um se aprofunde por si só, não apenas neste tema, mas em todos os demais.




"Se não houver frutos
Valeu a beleza das flores
Se não houver flores
Valeu a sombra das folhas
Se não houver folhas
Valeu a intenção da semente"
HENFIL, do livro Diretas Já







Karina, Cristiane, Karen, Diego, Dani,

Carla, Katty, Talita, Silmara.



Postado por Cristiane dos Santos, Diego Henrique,

Karina Helena e Katty Pacheco

3 comentários:

Anônimo disse...

Pessoal ninguém mais participa dos blogs! Professor cadê você!!!

Anônimo disse...

Gostei muito da apresentação, porém vocês poderiam ter trabalhado com mais textos de alguns jornalistas, Ex: José Simão da Folha de São Paulo.

Abraço a todos.

Anônimo disse...

Já disse que estou aqui. Atentíssimo.

Mesmo que não escreva, sei de tudo o que acontece.

E o ombudsman da semana humor parece também saber de tudo.
Fez observações importantes sobre a apresentação, sempre preocupado em fundamentar sua opinião, retomando os fatos e dando exemplos.

Se todo ombusdsman fosse assim, eu só teria o trabalho de dar dicas para o leitor crítico. Como esta:

"Os vídeos apresentados foram de grande valia para exemplificar como são tratados nas piadas, assuntos da realidade nos textos humorísticos"

Notem a repetição indevida: piadas e textos humorísticos.

Mas a vida não é fácil mesmo.

Abraço.

Roberto.